Daniel Messeder, editor de AE
Ainda não dirigi o Hyundai Elantra, nem o novo Civic. Por isso, é cedo para afirmar se eles serão as novas referências entre os sedãs médios. Mas o fato é que, enquanto eles não chegam, este posto pertence ao
Fluence.
O grande mérito do carro da
Renault é o equilíbrio. Ele não tem um ponto fraco que chame atenção, como o câmbio automático do Peugeot 408 ou o fraco motor 2.0 8V do Jetta. Pelo contrário, pense no que é importante num sedã médio. Espaço? Com 4,62 m, o
Fluence tem porte imponente e, com 2,70 m de entreeixos, oferece lugar decente para até três ocupantes no banco de trás, (dois adultos e uma criança), com direito a saída de ar exclusiva. Porta-malas? Gigantesco, com 530 litros (aferidos). Equipamentos? Ar digital de duas zonas, CD player com entradas auxiliar e USB, GPS de painel, bancos de couro, faróis de xenônio, teto-solar, seis airbags, ABS, ESP… Conforto? Temos um câmbio automático isento de trancos (CVT) e baixo ruído interno, sem falar na suspensão que tem bom relacionamento com buracos.
Não bastassem essas qualidades, o
Fluence ainda agrada no restante. Apesar da suavidade do CVT, o desempenho é de primeira, com saídas espertas e reserva de força para as ultrapassagens. A direção elétrica é muito bem ajustada, leve nas manobras e firme nas curvas rápidas. Falei em curvas? Pois o
Fluence também é equilibrado nesse ponto, com baixa rolagem da carroceria e bom grip dos pneus Continental 205/55 R17. Para não dizer que não tenho críticas, acho o câmbio CVT meio monótono (meu número seria a versão manual de seis marchas) e o quadro de instrumentos é sem graça e inclinado para cima, como se fosse de minivan. Mas isso é “pelo em ovo”.
Some as qualidades do
Fluence ao preço competitivo que a Renault o posicionou e temos um potencial campeão de vendas, certo? Nem tanto… Ao menos por quanto, os emplacamentos estão bem abaixo da expectativa de 1.800 carros/mês. Mas a Renault diz que o modelo tem filas de espera nas concessionárias, e que o problema está no ajuste de produção da fábrica argentina. A marca promete que até agosto poderá entregar aos menos 2 mil carros/mês para suprir a carência do mercado. Se vender menos que isso, será uma injustiça.
Elantra e novo Civic podem mudar essa história? Claro, mas pelo que vi desses carros eles têm mais apelo esportivo e menos familiar que o
Fluence. Sem falar que Hyundai e Honda não acenam com preços tão camaradas quanto os da Renault. Fazendo uma previsão do futuro, vejo o Elantra tomando o lugar do “esportivo” Civic atual entre os mais consumidores descolados, e o
Fluence conquistando quem curte a suavidade do Corolla, com custo-benefício mais atraente. Resta esperar.